Luís Severo

by Luís Severo

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1.
cantei ao vento norte para a avalanche te dar direcção tu que falas de sorte, agora que já te falta coração deixaste a mocidade à espera fumo a desaparecer e só voltou a primavera pra trabalhar até morrer canta voz canta dá-me uma esperança nesta cidade se o medo já se alevanta canta de amor e verdade lisboa chora agora não há filho teu que não te venda fazem de ti boneca, à espera que no fim ainda tenhas remenda perdeste a graça a ver caminho passou-te a carruagem não fosse o olhar do menino Pronto a seguir tua viagem gastavas a flor do tempo na nossa velha maldade irónico o teu lamento que já não presta nessa idade fui moço já sou homem deu tédio para aprender vesti pior cantei pior foi e agora não queiras saber se este amor é que me dá fé se é verdade ou não é sem comparar já se alavanta e a cantar morrer de pé, vai e canta voz canta dá-me uma esperança nesta cidade se o medo já se alevanta canta de amor e verdade se me foge o pé à dança fanço uma trança no teu cabelo amor, és penha de frança isso não dá para parecê-lo
2.
eu e tu na malandragem na viagem sempre a recomeçar meio mundo à nossa imagem dou meia volta se perco o meu lugar de manhã o espelho aperta, sou amor talvez do amor que me quiser paixão que nem liberta só pega e desarruma sem doer que és bem melhor não nego eu não te dei sossego ficou tanto por dizer a tempestade lá ao longe um capricho meu até me esqueço desse mal quando atento em tudo o que me mostras e sem te dar respostas logo fica tudo igual no portugal lá do oeste quantas vivendas fizeram uma cidade esplanada bola frio agreste só o teu corpo lhe dá identidade privilégio é ser homem na batota na teima desta contradição dás birra e até risota se não me vês em tua posição mas vai-te logo o fel se vês que à minha pele também dói essa lição a tempestade já vai longe e foi capricho meu amor eu esqueço todo o mal quando atento em tudo o que me mostras e sem te dar respostas logo fica tudo igual alameda renda paga vida longa o mês que acaba é bom sinal é tiro à queima roupa na prancha a mudar o vendaval com o passar dos anos cruzamos oceanos e deixamos tudo igual
3.
Escola 02:33
noite de insónia pesadelos paranóia toca o relógio acordo pra fingir que tou bem do primeiro beijo ao frio de Santa Apolónia a espera do combóio foram braços de mãe é tenra a cabeça cada vez mais esperta sem coisas de rapazes a que nunca me dei fui à escola aprender a estar sempre alerta e a não confiar em ninguém meu amor deixa uma porta aborta não vá peder o chão vem comigo à descoberta e se perder o chão volta ao deserto para andar pelo deserto com o mesmo vento na cara para o gelo do meu coração nos passos em volta para descer os bons dias sem más companhias para apanhar a urbana meu corpo indefeso, tanta perna no shopping boca de novo rico para fechar a pestana dos filhos marados, dos divórcios passados dos dois mil enterrados na saudade que aperta da escola que é a melhor parte da vida mas só porque a vida é mesmo uma merda meu amor deixa uma porta aborta não vá peder o chão vem comigo à descoberta e se perder o chão volta ao deserto para andar pelo deserto com o mesmo vento na cara para o gelo do meu coração
4.
Meu Amor 03:47
naquela noite em Janeiro andava louco para te conhecer não esperava que me desses um teu beijo e o tempo todo que ele me pôs a tremer andámos pela chuva a cair pelo cheiro da roupa a revelar e a ver o castelo tantos beijos nervosos a convidar-me subir tua escada sem saber do calor que é flutuar de mão dada enlaçado com o meu amor amor que me traz carinhos que me deixam em flor suspiros de paz do meu amor se me fala verdade e até de longe me sabe de cor sabe até da vaidade que me vale ser o seu amor trouxe-me um arco íris para rever e um baloiço para me acostumar e até lábios grossos ele me deu para lhe dar beijinhos como ele me dá como peixe na água hei-de encontrar nova cor nas coisas que ele me fala nos olhos do meu amor vou-me acostumar a tudo o que já mudou ao bem que me faz o meu amor o meu amor é o meu querer o meu amigo para me lembrar que a vida é curta para remoer que o escuro não me pode afectar que o dia já nasceu para acordar como peixe na água leve e tão sonhador a flutuar de mão dada enlaçado com o meu amor amor que me traz carinhos que me deixam em flor suspiros de paz do meu amor
5.
cabeça de vento pelos raios de sol abanada pelo Verão tens luz a mais em corpo mole cansa mais que a escuridão mas eu vou perder o sono tão depressa se tentar dormir assim que anoiteça por isso mais vale perder a cabeça amor volta, vamos sair que há sempre um lugar onde parece que não passa o tempo nos remédios trocados para arejar tanta cabeça de vento cabeça de vento esperei-te a demora a contar trocos para o café para sair de casa mais um hora mais outra a andar a pé tem graça que a festa também aborreça que lembre da vida que já não interessa a soma dos dias a perder a cabeça que leva metade de mim oh mãe tentei deixar de ser cabeça de vento mas ir pela maré de ninguém só me levou o alento oh mãe desculpa ser cabeça de vento um dia hei-de ser alguém hei-de arranjar sustento
6.
amor que mata dá-te mais liberdade para te entregares sem medo da intimidade olhar nos teus olhos, já te faltar vontade faltar-te a loucura que te impõe a cidade o tempo a passar e o compromisso fardo para a gente carregar ainda assusta pensar no homem que um dia hei-de vir a ser e que me possas largar da mão se me der a conhecer o dia que se repete e se hoje não te dá alegria dar-te um beijo e dizer-te, amor és boa companhia se o teu coração me achou banalidade primeira impressão que passou a verdade aquele amor de verão que não morre com a idade ciência ou passado que não dão claridade não deixam em paz o sonho que aos anos tu tentas esquecer (dizia) que amor que mata dá-te mais liberdade para te entregares sem medo da intimidade ouvi a cantora para saber se é verdade que a sede da boca morre com a tempestade e sabes de cor essas coisas tão mais profundas que o amor ainda custa a aceitar o homem que um dia posso vir a ser e que me possas largar da mão se me der a conhecer O dia que se repete e se hoje não te dá alegria dar-te um beijo e dizer-te, amor és boa companhia
7.
Lamento 03:13
amor que foi já não volta amor que foi já não é mais vale ser cabeça tonta e andar à solta pela maré tuas pálpebras de sombra pestanas tristes a tremer na espuma do mar que te enrola pões fermento ao anoitecer vai voar ai não percas nosso tempo no ciúme que te cava a cova a cara tão nova um novo lamento amor que foi já não volta de que vale tentar entender? se amor não se esquece a pensar que amanhã se há-de esquecer tuas fotos tuas roupas os teus fãs ali à espera se algum te deu um devaneio dá-lhe o cheiro dessa Primavera vai voar ai não percas tanto tempo no ciúme que te cava a cova a cara tão nova um novo lamento enquanto te vestes ao espelho promete que desta não vais mentir põe o perfume e o batom vermelho aceita o presente o passado e o porvir aquela casa pobre aquela dor tão nobre o que era bom que não se vai repetir num lamento vai voar ai não percas tanto tempo no ciúme que te cava a cova a cara tão nova
8.
eu vinha de um lugar onde nada se parecia com o teu passo calmo de Alvalade ao fim do dia tentavas explicar mas poucas vezes te ouvia vivia para sonhar a minha própria mania mas lá me apaixonei pelos teus jeitos de raposa iludido com a cidade começaste a fazer troça eu quase com dezoito a respirar extasiado só queria absorver o mundo contigo ao lado corremos Portugal no Verão e em Setembro não quis dar-te razão dizias que é bom ter olho de lince não vá a quimera morrer nessa contenda não feches teu olho de lince isto aqui é Lisboa cada qual que se defenda fui para a tua faculdade e ficamos mais parecidos se soltava uma farpa era mel para os teus ouvidos vá lá não sejas prato para os tontos dos teus amigos dizias-me em segredo com os teus olhos decididos que à mesa do café tu só tens de ter certezas se não tens não faz mal ou imitas ou inventas com o teu ar natural quem dirá que não tens norte para ti banalidade é sempre palavra forte foi-se aproximando outro Verão e aos poucos já te ia dando razão dizias que é bom ter olho de lince não vá a quimera morrer nesta contenda não feches teu olho de lince isto aqui é Lisboa cada qual que se defenda mas quando me trocaste realmente aceitei que é melhor andar à toa sem me olhar a ninguém bati com a cabeça uns três anos caídos até que um novo amor me devolveu os sentidos e hoje longe do coração eu só te lembro para lembrar esta lição que é bom ter olho de lince não vá a quimera morrer nesta contenda não feches teu olho de lince isto aqui é Lisboa cada qual que se defenda

about

cucamongadiscos.bandcamp.com
CM0005

Este disco foi composto e gravado em Alvalade, estúdio para o qual me mudei no princípio de 2016. Para a produção, som e arranjos trabalhei em conjunto com o Diogo Rodrigues e o Manuel Palha. Os três tocámos a maioria dos instrumentos. O Francisco Ferreira fez alguns arranjos de teclas e o trabalho gráfico - as fotografias são do Francisco Aguiar e da Raquel Rodrigues. A mistura é minha, com auxílio do Diogo e do Eduardo Vinhas. A masterização é do Eduardo Vinhas, no Ponéi Dourado.

Convidados:
Teresa Castro, Bia Diniz e Primeira Dama- coros
Tomás Wallenstein - violinos
Violeta Azevedo - flautas
Salvador Seabra - percussões

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Era o início de 2016 e eu andava na estrada a tocar o Cara d’Anjo. Já meio saturado daquelas canções, sabia que queria aproveitar o momento e escrever já outro disco. Desta vez, um disco mais solitário, onde a solidão no processo me proporcionaria uma liberdade que nunca tivera outrora. Quis romper com o método de escrever canções que tinha até então, método que me parecia demasiado saturado em mim próprio. Ao piano e sem pressa, explorei e repeti todas as melodias mais naturais que por mim passavam. Muitas delas estavam aos anos na minha cabeça e ouvidos, à espera de uma canção que lhes desse uma vida.

Já sabia que o Diogo Rodrigues iria gravar o disco comigo. Ele era já carta certa nos meus concertos ao vivo, e anfitrião de Alvalade. Sentia que faltava outra pessoa para nos ajudar, trazendo ideias novas, e rompendo as demasiadas rotinas que a minha dupla com o Diogo já deveria ter. Lembrei-me do Manuel Palha, que me impressionou bastante durante os ensaios da primeira Festa Moderna. O Manuel era completamente diferente de mim no método, no conhecimento, na procura e no gosto. Um músico fora de série, com a sensibilidade certa para me corrigir, sem me estragar. Os três fomos fluindo nos arranjos e produção, até que pontualmente chamámos outros amigos. O Francisco Ferreira acabou por gravar mais teclados do que alguma vez esperámos, contribuindo fortemente para a massa de texturas do disco. O Tomás Wallenstein tocou violinos e apareceu nas alturas certas para desbloquear impasses. A Violeta Azevedo gravou flautas e o Salvador percussões. No fim veio o coro, formado pela Teresa Castro, a Bia Diniz e o Manuel Lourenço. Estes três compinchas foram incansáveis e acrescentaram um lado bem orgânico ao disco.

Ofereço este disco à Raquel, que esteve ao meu lado durante este processo intenso e demorado. Agradeço aos meus pais, à minha avó, ao meu irmão, restante família, e, claro, aos grandes amigos Ró, Coelho, Sambado, Sobral, Quadros, Domingos, Lucía, Pedro Duarte, Zé Cardoso e toda a malta da Gentle Records, toda a malta da Maternidade, Cuca Monga, velhos amigos da Cafetra e seus afluentes da Interpress, e também aos traquinas dos Ganso. Um obrigado final, e redobrado, a todos os que participaram!

credits

released March 10, 2017

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Joaquim Quadros
joaquimquadross@gmail.com

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Rodrigo Castaño rodrigocastano.promo@gmail.com

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